MZM - Construtora

Imóveis compactos, decoração simples e tons ‘calmos’ devem marcar 2017

03 de janeiro / 2017

Imóveis compactos como o de Juliana Tosato, que tem 29 m², serão tendência
Imóveis compactos como o de Juliana Tosato, que tem 29 m², serão tendência

A tendência é que 2017 seja um ano de economia: imóveis menores, decoração pouco colorida e projetos de design ou jardinagem mais em conta, segundo especialistas.

No mercado imobiliário, os protagonistas serão os apartamentos compactos, com até dois dormitórios e valor em torno de R$ 400 mil.

Desses, o tipo de imóvel cuja oferta mais tem crescido, segundo Flavio Amary, presidente do Secovi-SP (entidade do setor imobiliário), é o de um dormitório, com tamanho entre 20 m² e 30 m².

“As pessoas aproveitam cada vez mais o que a cidade oferece de lazer e cultura e acabam vivendo em espaços menores”, diz Amary.

Apartamentos com dois dormitórios, entre 45 m² e 60 m², com valores a partir de R$ 300 mil, não devem ficar muito atrás, afirma Luiz Fernando Moura, diretor da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias). “São imóveis-curinga, os mais procurados em qualquer época.”

A venda de apartamentos e o número de lançamentos, contudo, só devem apresentar uma melhora no segundo semestre, motivados por um possível cenário de queda na taxa de juros e de estabilidade política e econômica, afirmam os especialistas.

Em relação ao número de lançamentos, a consultoria imobiliária Geoimovel prevê 134 novos empreendimentos na capital em 2017. O Secovi-SP não tem uma estimativa.

Entre os lançamentos, os destaques serão os empreendimentos múltiplos, que oferecem diferentes tipos e tamanhos de unidades, afirma Celso Amaral, diretor corporativo da Geoimovel. “Isso aumenta as chances de o cliente comprar um apartamento em um edifício, já que existe uma maior variedade de opções”, explica.

Enquanto o cenário não melhora, as incorporadoras devem se empenhar para vender as unidades em estoque, diz Pedro Fernandes, presidente da Associação Brasileira do Mercado Imobiliário.

A redução dos estoques, no entanto, pode ter como consequência um aumento no valor de venda das unidades, observa Fernandes. “O ano que vem será de retomada para o mercado imobiliário.”

SIMPLICIDADE A TODO CUSTO VAI DEFINIR DECORAÇÃO

Tons neutros e objetos sustentáveis devem ficar em voga na decoração em 2017, segundo designers.

Simplicidade é o termo que vai definir o novo ano, afirma Sueli Garcia, do escritório de consultoria P.O. Box: “Haverá redução de excessos. Os ambientes terão poucos ornamentos”.

A diminuição do tamanho dos imóveis, que não comportam mais tantos objetos, e a crise econômica colaboram para essa tendência, diz Garcia.

Sala com tons neutros, tendência para 2017, projetada pelo arquiteto Oscar Mikail, em imóvel no Jardim Anália Franco, em SP
Sala com tons neutros, tendência para 2017, projetada pelo arquiteto Oscar Mikail, em imóvel no Jardim Anália Franco, em SP

A designer observa ainda que os ambientes serão compostos por cores neutras, como o off-white, e derivadas de elementos da natureza, como o marrom.

Em um cenário de casas pequenas, os móveis modulares, que permitem a constante customização dos espaços, também devem fazer sucesso, apontam Alexandre Salles, professor do Istituto Europeo di Design, e Noura Van Dijk, vice-presidente da Associação Brasileira de Designers de Interiores.

Para os dois profissionais, o uso de peças recicladas e de fibras naturais nos projetos também ganham força neste ano.

É A VEZ DAS PLANTAS MAIS SIMPLES, QUE DEMANDAM POUCOS CUIDADOS

A crise econômica vai ditar até a escolha das plantas para o jardim. Em vez de projetos suntuosos, com plantas grandes, surgem como alternativa mais barata suculentas, cactáceas e hortas orgânicas, que exigem pouca manutenção, aponta a paisagista Ana Paula Magaldi.

Segundo ela, entre todos os gêneros, são as suculentas que devem ter mais destaque.

A Sansevieria cylindrica, mais conhecida como lança-de-são-jorge, a dasilírio, ou rabo-de-dragão, e a Agave filamentosa são algumas sugestões da paisagista.

Usar plantas na decoração, como nesse projeto de Marcelo Rosset, em Higienópolis (região central de São Paulo), está em alta em 2017
Usar plantas na decoração, como nesse projeto de Marcelo Rosset, em Higienópolis (região central de São Paulo), está em alta em 2017

A vantagem das suculentas, lembra, é que não precisam ser regadas com muita frequência e se adaptam bem tanto ao calor quanto ao frio.

Levar as plantas do jardim para dentro de casa também deve ser outra tendência. “Além de decorativas, algumas espécies ajudam a purificar o ar de casa”, observa Sueli Garcia, sócia do escritório de consultoria P.O Box.

Sistemas de reúso da água para o jardim e o uso de revestimentos sustentáveis em áreas externas também serão uma preocupação maior daqui em diante, afirma o paisagista Alex Hanazaki: “A sustentabilidade será uma obrigação, não apenas uma preocupação”.

EM TEMPOS CONTURBADOS, CORES FICAM COM A TAREFA DE TRANSMITIR SERENIDADE

O “greenery”, ou verde-folhagem, é a cor do ano segundo a Pantone, instituto conhecido por seu sistema de cores. Aqui no Brasil, outros tons também ganharam a tarefa de representar 2017. Em comum, têm o fato de serem pouco vibrantes e transmitirem calmaria.

O Comitê Brasileiro de Cores, que pesquisa as tendências do setor, por exemplo, escolheu o azul “sky” como o tom do ano -semelhante ao do vestido da Cinderela.

“Nesses tempos conturbados, nada melhor do que tons azuis para trazer paz e tranquilidade às nossas vidas”, explica a presidente do comitê, Elisabeth Wey.

A marca de tintas Coral escolheu uma cor parecida: o azul “mergulho sereno”, que tem um toque acinzentado. O motivo da seleção foi o mesmo: “Ajudar as pessoas a encontrar a paz”.

O vermelho avioletado “cortina de teatro” foi a escolha da Suvinil para 2017. “A cor terrosa representa a origem do Brasil, que está em um momento de busca de identidade”, diz Ana Kreutzer, consultora da marca.

Já a Lukscolor elegeu o marrom amarelado “lizard”, que, segundo a marca, torna os ambientes “envolventes e aconchegantes”.

Fonte: folha.uol.com.br