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Quem está comprando imóveis no Brasil, e como?

24 de outubro / 2016

Em função da crise, comprador de imóveis ficou mais pragmático
Em função da crise, comprador de imóveis ficou mais pragmático

O mercado imobiliário brasileiro tem um novo perfil de consumidor. Em função da crise econômica, o setor registra mudanças comportamentais. O primeiro sinal é de que a prioridade de quem procura imóvel, agora, é por moradia própria e não para investimento. Trata-se de uma fatia que abrangeu 87% das vendas realizadas até o primeiro semestre de 2016, segundo aponta a Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi).

Quem está indo ao mercado tem entre 28 anos e 45 anos, possui de um a dois filhos, já é dono de um imóvel e busca outra residência com dois objetivos: quer uma moradia maior e melhor localizada. Boa parte destes compradores tem renda familiar entre R$ 9 mil e R$ 15 mil e dispõe, em média, de 45% do valor do imóvel para dar de entrada. O objetivo é reduzir o financiamento para, no máximo, 15 anos.

Outro dado coletado é que 10% dos compradores têm preferido fazer o pagamento à vista, para obter descontos. A preferência deste consumidor é por imóveis com padrão standard (de R$ 250.001,00 a R$ 400 mil), o que equivale a 28%, e por imóveis com padrão médio (de R$ 400.001,00 a R$ 700 mil), que responde por 19,8%. Isso tem ajudado a reduzir os estoques, principalmente nas capitais.

Em Curitiba, por exemplo, pesquisa encomendada à BRAIN Bureau de Inteligência Corporativa detectou 33.996 imóveis em oferta na cidade. Trata-se do menor volume registrado desde março de 2013, quando havia 33.981 unidades. Em julho do ano passado, a oferta de apartamentos residenciais novos na capital paranaense era 36.865 unidades. No Brasil, segundo a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), o estoque de imóveis residenciais fechou o primeiro semestre de 2016 com 111,3 mil unidades.

Imóveis de até R$ 1,5 milhão

Essas novas tendências do mercado imobiliário levaram o Conselho Monetário Nacional (CMN), no final de setembro de 2016, a autorizar os bancos a financiar imóveis novos com valor até R$ 1,5 milhão, com juros de até 12% ao ano. A medida não vale para operações do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que financia imóveis de menor valor. O SFH se limita a unidades residenciais de até R$ 750 mil em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal e R$ 650 mil nos demais estados, usando recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Segundo a chefe do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central (BC), Sílvia Marques, o FGTS não será usado nos financiamentos para imóveis de até R$ 1,5 milhão. A decisão é temporária e vale apenas por um ano. De acordo com a técnica do BC, caso seja bem-sucedida, a medida será aplicada de forma permanente. “Estamos apenas dando mais uma opção ao mercado imobiliário”, disse.

Um dos motivos que levou o Conselho Monetário Nacional a liberar financiamento para imóveis com valor até R$ 1,5 milhão está diretamente relacionado ao perfil do consumidor que busca empreendimentos que ofereçam certificações de sustentabilidade, e que estão neste patamar de preço. Segundo Carlos Leite, arquiteto e professor-doutor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Fundação Dom Cabral, apartamentos de alto padrão que façam reuso da água e tenham elementos construtivos que minimizem o custo da energia têm a preferência de quem vai ao mercado imobiliário comprar imóveis com essas características. “Os consumidores, de uma forma geral, começam a encarar a sustentabilidade como uma exigência”, diz.


Fonte: http://www.cimentoitambe.com.br/massa-cinzenta/