{"id":3424,"date":"2020-04-02T12:20:13","date_gmt":"2020-04-02T15:20:13","guid":{"rendered":"http:\/\/mzm.com.br\/blog\/?p=3424"},"modified":"2020-04-02T12:16:12","modified_gmt":"2020-04-02T15:16:12","slug":"autismo-e-inclusao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mzm.com.br\/blog\/noticias\/autismo-e-inclusao\/","title":{"rendered":"Autismo e inclus\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-normal-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-image-fill\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\" style=\"background-image:url(http:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Autismo-fita3-632x1024-1.jpg);background-position:17.307692307692307% 8.823529411764707%\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Autismo-fita3-632x1024-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3437\"\/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p style=\"font-size:15px\"> <em>Me chamo Joana Scheer e sou autista. Devido a dificuldades sociais, nunca consegui trabalhar em um emprego formal. Aos 14 anos aproximadamente aprendi a programar e a fazer sites e aos poucos fui seguindo por este caminho, o que me deu possibilidade de exercer uma profiss\u00e3o atrav\u00e9s do Design, Webdesign e Social Media, que aprendi sozinha gra\u00e7as ao autodidatismo. Exer\u00e7o o meu of\u00edcio aonde quer que eu possa levar meu notebook e onde quer que haja sil\u00eancio.<\/em> <\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Autismo n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a, e n\u00e3o h\u00e1 cura para esta condi\u00e7\u00e3o. Por isso, \u00e9 importante haver a compreens\u00e3o de que apenas a conscientiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o suficiente. \u00c9 necess\u00e1rio e urgente que haja a aceita\u00e7\u00e3o do autismo. Ter consci\u00eancia significa saber da exist\u00eancia, j\u00e1 aceitar, significa algo muito maior e mais inclusivo de fato. H\u00e1 ainda profissionais que mencionam a express\u00e3o &#8220;sair do espectro&#8221;. O que eles descrevem \u00e9, na verdade, a supress\u00e3o de um fen\u00f3tipo. Ou seja, apesar de serem autistas, com tratamentos e terapias voltadas para as suas dificuldades em particular, passam a n\u00e3o &#8220;aparentar o autismo&#8221;. <\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa, entre outras coisas, n\u00e3o andar mais nas pontas dos p\u00e9s, passar a olhar nos olhos, exibir menos movimentos estereotipados, etc. Muitas dessas medidas t\u00eam o objetivo de nos ajudar de fato, mas diversas outras s\u00e3o apenas tentativas para que n\u00f3s nos adaptemos ao mundo, e n\u00e3o o contr\u00e1rio. Olhar para com quem se conversa por exemplo, \u00e9 importante n\u00e3o pelo ponto de vista do outro se sentir bem, mas sim para que n\u00f3s possamos, como uma verdadeira estrat\u00e9gia, observ\u00e1-los e copiar seus comportamentos quando n\u00e3o soubermos como agir. Sendo assim, \u00e9 algo totalmente \u00fatil e v\u00e1lido de se aprender, diferente de proibir ou impedir o bater palmas ou pular, simplesmente por ser socialmente feio.<\/p>\n\n\n\n<p>As diversas terapias existentes nos ajudam em diversas \u00e1reas de nossas vidas e s\u00e3o essenciais para aprendermos a lidar com as dificuldades individuais que apresentamos, jamais para nos for\u00e7ar a &#8220;parecermos menos autistas&#8221; para que nos encaixemos na sociedade como ela \u00e9. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-background has-pale-cyan-blue-background-color\"><strong>Absolutamente nenhuma terapia \u00e9 ou ser\u00e1 capaz de fazer com que um autista deixe de ser autista. A sociedade como um todo precisa mudar, n\u00e3o apenas para nos acolher, mas tamb\u00e9m para que seja mais acolhedora para todos os deficientes.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito raro experimentar, como autista, um ambiente com pessoas realmente dispostas e aceitar e incluir. Digo isto at\u00e9 mesmo no ambiente familiar, especialmente na vida adulta. \u00c0s vezes, me parece que as pessoas se esquecem que a crian\u00e7a autista vai crescer e se tornar um adulto autista, ainda com limita\u00e7\u00f5es e necessidade de apoio que variam de pessoa para pessoa. S\u00e3o comuns, inclusive, os casos de familiares que normalmente n\u00e3o convivem diariamente conosco e simplesmente desacreditam do diagn\u00f3stico, nos acusando de exagero, fingimento, pregui\u00e7a, relaxo, entre outras barbaridades. <\/p>\n\n\n\n<p>Seja no pr\u00f3prio ambiente familiar, no trabalho, na escola, na faculdade ou em qualquer outro lugar, situa\u00e7\u00f5es assim nos colocam em posi\u00e7\u00e3o de autoquestionamento. Geram frustra\u00e7\u00e3o, tristeza e culpa, o que n\u00e3o traz absolutamente benef\u00edcio algum. Passamos a achar que n\u00e3o temos fun\u00e7\u00e3o ou utilidade no mundo e que n\u00e3o h\u00e1 lugar para n\u00f3s aqui. Isso nos leva a outro assunto de car\u00e1ter emergencial: a baixa expectativa de vida e a alta taxa de mortalidade precoce por suic\u00eddio dos autistas de grau 1 (antigo &#8220;autismo leve&#8221;) comparada \u00e0 expectativa de vida da popula\u00e7\u00e3o fora do espectro. <\/p>\n\n\n\n<p>Ansiedade, depress\u00e3o, s\u00edndrome do p\u00e2nico, estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico e muitas outras condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o coexistentes ao autismo na maioria das vezes por uma raz\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 ainda a aceita\u00e7\u00e3o da sociedade, e a conscientiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 apenas engatinhando. Mas quanto mais espa\u00e7o tivermos para comunica\u00e7\u00e3o, mais evolu\u00e7\u00e3o haver\u00e1 em ambas estas \u00e1reas. <\/p>\n\n\n\n<p>Por mais que um autista escreva com maestria, ele pode se comunicar verbalmente com dificuldade, gaguejando ou n\u00e3o sabendo que palavras escolher para cada senten\u00e7a, ou at\u00e9 mesmo n\u00e3o utilizando a fala como comunica\u00e7\u00e3o (autistas n\u00e3o verbais). <\/p>\n\n\n\n<p><br> Um adulto autista pode saber dirigir, mas pode n\u00e3o saber usar o transporte p\u00fablico, por exemplo, ou n\u00e3o suportar aglomera\u00e7\u00f5es, o que faz dos assentos e filas preferenciais n\u00e3o apenas uma necessidade, mas uma emerg\u00eancia para que crises sejam evitadas. Aquela mesma pessoa que n\u00e3o precisou de faculdade para aprender a sua profiss\u00e3o e fala diversos idiomas pode n\u00e3o saber atravessar a rua ou amarrar os pr\u00f3prios sapatos. Exemplos n\u00e3o faltam.<\/p>\n\n\n\n<p>Termos acesso a filas e assentos preferenciais \u00e9 um \u00f3timo come\u00e7o. Mas nada mais do que um come\u00e7o. Muito h\u00e1 de se caminhar para que possamos ter mais qualidade de vida neste mundo que n\u00e3o nos acolhe como deveria. Como o autismo n\u00e3o tem caracter\u00edsticas f\u00edsicas t\u00e3o aparentes que o identifique \u2014 como a S\u00edndrome de Down, por exemplo \u2014, enfrentamos diariamente, adultos ou crian\u00e7as, situa\u00e7\u00f5es de constrangimento e julgamento, o que est\u00e1 longe de ser a t\u00e3o desejada inclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-background has-pale-cyan-blue-background-color\"><strong>Por esta raz\u00e3o, \u00e9 essencial que este assunto seja ainda mais abordado, e que autistas sejam ouvidos, pois n\u00f3s somos os principais afetados por isso, assim como nossos familiares que na maioria das vezes deixam suas pr\u00f3prias vidas de lado para cuidar de n\u00f3s<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que diariamente milhares de autistas adultos, profissionais de sa\u00fade realmente capacitados, professores e pais, m\u00e3es e tutores de autistas trabalham em suas redes sociais, cl\u00ednicas e salas de aula divulgando a causa, trazendo informa\u00e7\u00f5es e m\u00e9todos que devem ser urgentemente implementados em locais de trabalho, em casa e na sociedade como um todo, independentemente do n\u00edvel de apoio que os autistas necessitem em sua vida. <\/p>\n\n\n\n<p>O dia 2 de abril \u00e9 oficialmente o Dia Mundial da Conscientiza\u00e7\u00e3o do Autismo desde dezembro de 2007. Esta data foi criada pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas com o objetivo de levar informa\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e alertar a sociedade e seus governantes sobre a  import\u00e2ncia da conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o Transtorno do Espectro Autista. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que falta desenvolver ainda \u00e9 a compreens\u00e3o, empatia e a t\u00e3o sonhada inclus\u00e3o. Inclus\u00e3o que acolhe e compreende que precisaremos de adapta\u00e7\u00f5es e apoio em algumas \u00e1reas da vida independente da idade, provavelmente pelo resto de nossas vidas, e que n\u00e3o h\u00e1 problema nenhum nisso. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Joana Scheer <\/strong><\/p>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Me chamo Joana Scheer e sou autista. Devido a dificuldades sociais, nunca consegui trabalhar em um emprego formal. 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