{"id":3852,"date":"2020-06-24T17:01:11","date_gmt":"2020-06-24T20:01:11","guid":{"rendered":"http:\/\/mzm.com.br\/blog\/?p=3852"},"modified":"2020-06-24T17:01:13","modified_gmt":"2020-06-24T20:01:13","slug":"nacao-comestivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mzm.com.br\/blog\/bem-estar\/nacao-comestivel\/","title":{"rendered":"Na\u00e7\u00e3o comest\u00edvel"},"content":{"rendered":"\n<p>Nos \u00faltimos meses, observar o conte\u00fado postado nas redes sociais \u00e9 quase como estar diante da vitrine de uma padaria: se resume, principalmente, em comida. Bolos e p\u00e3es s\u00e3o as grandes estrelas. \u00c9 reflexo do tempo que estamos confinados em casa devido a quarentena imposta pelo novo coronav\u00edrus. Ao n\u00e3o poder sair para as ruas e encontrar pessoas queridas para um abra\u00e7o, o t\u00e9dio, a energia acumulada, a criatividade enclausurada e a car\u00eancia de afeto presencial tornaram-se ingredientes da cozinha. \u00c9 a gera\u00e7\u00e3o dos chefes da quarentena.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQue nesse momento de n\u00e3o estar fora, na rua, com os outros, a cozinha seja um lugar de encontro precioso com a gente mesmo. Independentemente do que voc\u00ea decidir preparar. O card\u00e1pio n\u00e3o importa. O que vale, de verdade, \u00e9 que tudo isso seja feito com presen\u00e7a, a sua presen\u00e7a\u201d, escreveu Ana Holanda no texto \u2018Cozinhar para escutar\u2019 , dispon\u00edvel em sua coluna no site de Vida Simples.<\/p>\n\n\n\n<p>Pensar em comer \u00e9 pensar, muitas vezes, na hist\u00f3ria pessoal \u2013 almo\u00e7os de domingos com a mesa farta (de gente e de alimento), receitas passadas de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o, aromas \u00fanicos. Mas os ingredientes comuns, que cumprem muito bem a fun\u00e7\u00e3o de nutrir e s\u00e3o base de diversos pratos nacionais, servem tamb\u00e9m para nos caracterizar enquanto povo. <\/p>\n\n\n\n<p>Recontar a trajet\u00f3ria e os costumes dessas comidas \u00e9 a proposta da s\u00e9rie \u2018Hist\u00f3ria da alimenta\u00e7\u00e3o no Brasil\u2019, dispon\u00edvel na Amazon Prime, e baseada no livro hom\u00f4nimo de Lu\u00eds da C\u00e2mara Cascudo, de 1967.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3853\" width=\"615\" height=\"270\" srcset=\"https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/1.png 820w, https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/1-300x132.png 300w, https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/1-768x337.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 615px) 100vw, 615px\" \/><figcaption>Hist\u00f3ria da Alimenta\u00e7\u00e3o no Brasil <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Ao longo de 13 epis\u00f3dios, soci\u00f3logos, pesquisadores, cozinheiros, comerciantes, entre outros, explicam quem somos n\u00f3s. Intitulada Rainha do Brasil, a farinha de mandioca estrela o primeiro v\u00eddeo. Milho, banana e leite de coco tamb\u00e9m est\u00e3o entre os produtos retratados. S\u00e3o pratos que matam a fome de muita gente, seja l\u00e1 qual for a classe social.<\/p>\n\n\n\n<p>No segundo epis\u00f3dio, \u2018Verde milho, milho verde\u2019, o soci\u00f3logo Carlos Alberto D\u00f3ria faz um apontamento sobre o milho, mas, ao meu ver, poderia ser utilizado para compreender a for\u00e7a que os alimentos tratados t\u00eam. De acordo com ele, a contribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o se d\u00e1 no plano do invent\u00e1rio culin\u00e1rio, mas da elabora\u00e7\u00e3o da tese nacionalista. Uma na\u00e7\u00e3o precisa de uma culin\u00e1ria, assim como de uma literatura. \u00c9 para construir a ideia de na\u00e7\u00e3o comest\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Assistir aos epis\u00f3dios de vinte e tantos minutos de \u2018Hist\u00f3ria da Alimenta\u00e7\u00e3o no Brasil\u2019 \u00e9 uma aula de geografia, de hist\u00f3ria, de sociologia, de arte e de culin\u00e1ria. \u00c9 uma s\u00e9rie sobre trocas, sobre afeto, sobre conex\u00e3o \u2013 com o outro e com a terra.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Bolo-de-fuba-de-liquidificador-baixa-3-1024x683-1-1024x523-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3854\"\/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"has-normal-font-size\"> Nesta quarentena, eu tamb\u00e9m me tornei um chefe. Minha especialidade s\u00e3o os bolos, daqueles que pedem um cafezinho coado para acompanhar. Nem sempre saem incr\u00edveis, \u00e9 verdade. Mas, ao separar os ingredientes e sentir o perfume que fica no meu lar, me lembro, quase que instantaneamente da minha av\u00f3 e m\u00e3e. J\u00e1 vale a experi\u00eancia. <\/p>\n\n\n\n<p> Ao t\u00e9rmino do segundo epis\u00f3dio, logo ap\u00f3s entender a beleza da farinha de milho, uma certeza: essa semana ter\u00e1 bolo de fub\u00e1. <\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Fonte<\/strong>: Vida Simples por Lucas Vasconcellos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos meses, observar o conte\u00fado postado nas redes sociais \u00e9 quase como estar diante da vitrine de uma padaria: se resume, principalmente, em comida. Bolos e p\u00e3es s\u00e3o as grandes estrelas. \u00c9 reflexo do tempo que estamos confinados em casa devido a quarentena imposta pelo novo coronav\u00edrus. 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