{"id":4833,"date":"2022-02-15T10:24:34","date_gmt":"2022-02-15T13:24:34","guid":{"rendered":"http:\/\/mzm.com.br\/blog\/?p=4833"},"modified":"2022-02-15T10:27:01","modified_gmt":"2022-02-15T13:27:01","slug":"o-brasil-por-tras-da-semana-de-22","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mzm.com.br\/blog\/arte-e-cultura\/o-brasil-por-tras-da-semana-de-22\/","title":{"rendered":"O Brasil por tr\u00e1s da Semana de 22"},"content":{"rendered":"\n<p>As comemora\u00e7\u00f5es ao centen\u00e1rio da Semana de Arte Moderna de 1922, celebrado neste m\u00eas fevereiro, suscitam diversos debates a respeito do evento, especialmente sobre seu formato, conte\u00fado e participantes, al\u00e9m do prop\u00f3sito que impulsionou sua realiza\u00e7\u00e3o. Mas existe um fator fundamental a ser levantado e que ajuda a compreender toda a for\u00e7a motivadora do festival:&nbsp;<strong>qual o Brasil por tr\u00e1s da Semana de 1922?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"620\" height=\"620\" src=\"http:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/foto-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4835\" srcset=\"https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/foto-1.jpg 620w, https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/foto-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/foto-1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption>\u201cEra uma elite falando da fazenda\u201d: o Brasil por tr\u00e1s da Semana de 22 (Foto: Wikimedia Commons)\n\n<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Naquele ano, uma s\u00e9rie de eventos realizados em grandes capitais do pa\u00eds celebravam o primeiro centen\u00e1rio da Independ\u00eancia do Brasil, proclamada em 1822. Na capital carioca, por exemplo, era organizada a Exposi\u00e7\u00e3o Internacional do Rio de Janeiro. J\u00e1 em S\u00e3o Paulo, a Semana de Arte Moderna integrava o calend\u00e1rio de solenidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a reuni\u00e3o de diversos artistas e intelectuais da \u00e9poca, como Di Cavalcanti, Anita Malfatti, M\u00e1rio de Andrade, Manuel Bandeira e Oswald de Andrade, a Semana representava uma tentativa dessa elite de estabelecer uma nova identidade para o Brasil, com a valoriza\u00e7\u00e3o do nacionalismo, dos s\u00edmbolos de nossa cultura e rompendo com o que vinha sendo feito at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"900\" src=\"http:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/FOTO-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4836\" srcset=\"https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/FOTO-2.jpg 600w, https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/FOTO-2-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption>O poeta Oswald de Andrade (Foto: Wikimedia Commons )<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cTrata-se de um momento em que esses intelectuais e integrantes das el\u00edticas pol\u00edticas e econ\u00f4micas olham para o passado, fazem um balan\u00e7o e prospectam o futuro. \u00c9 um momento de olhar para tr\u00e1s, pensar no que foi feito nos 100 anos de Brasil independente e em qual Brasil \u00e9 preciso daqui pra frente\u201d, conta Diana Gon\u00e7alves Vidal, professora e diretora do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de S\u00e3o Paulo (IEB USP).<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, \u00e9 simplista pensar que a arte moderna&nbsp;no pa\u00eds teve in\u00edcio precisamente a partir daquele momento. \u201cO modernismo n\u00e3o chegou no Brasil assim, de uma hora para outra. N\u00e3o foi um evento que fez que isso acontecesse\u201d, explica Maria Izabel Branco Ribeiro, professora da Funda\u00e7\u00e3o Armando Alvares Penteado (FAAP).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desejo de renova\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil vinha nesse movimento de transforma\u00e7\u00f5es e recome\u00e7os h\u00e1 cerca de tr\u00eas d\u00e9cadas. A rep\u00fablica rec\u00e9m-proclamada inspirava na popula\u00e7\u00e3o o desejo de se criar uma nova realidade para o pa\u00eds, e outra circunst\u00e2ncia tamb\u00e9m colaborava para esse sentimento: o recente fim da Primeira Guerra Mundial.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"620\" height=\"413\" src=\"http:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/FOTO-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4837\" srcset=\"https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/FOTO-3.jpg 620w, https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/FOTO-3-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption>Largo de S\u00e3o Bento, centro da capital paulista, nos anos 1920 (Foto: Wikimedia Commons )<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cO fim da guerra trouxe para o mundo todo uma sensa\u00e7\u00e3o de liberdade, a vontade de construir uma civiliza\u00e7\u00e3o pac\u00edfica. A d\u00e9cada de 1920 fez parte de um momento de efervesc\u00eancia e constru\u00e7\u00e3o de algo novo, e isso inclu\u00eda a ressignifica\u00e7\u00e3o da mulher no mercado de trabalho, novos m\u00e9todos de ensino, o avan\u00e7o da tecnologia&#8230; a esperan\u00e7a estava muito presente\u201d, desvenda Diana.<\/p>\n\n\n\n<p>A ruralidade era uma das principais caracter\u00edsticas do pa\u00eds \u00e0quela \u00e9poca. \u201cEm 1922, quando voc\u00ea olha para o que \u00e9 o Brasil, voc\u00ea v\u00ea um pa\u00eds em que 80% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 analfabeta. Na fala de alguns dos intelectuais da \u00e9poca, como Monteiro Lobato, tratava-se de uma na\u00e7\u00e3o de \u2018popula\u00e7\u00e3o inculta\u2019, com riquezas e possibilidades de crescimento, mas que ainda n\u00e3o havia cumprido sua miss\u00e3o\u201d, conta Diana..<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/FOTO4.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4838\"\/><figcaption>Cartaz elaborado por Di Cavalcanti para a Semana de Arte Moderna (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Por isso, os grandes avan\u00e7os da modernidade surgiam, essencialmente, nas capitais de destaque, como Recife, Rio e S\u00e3o Paulo&nbsp;\u2013 sendo essas duas, inclusive, protagonistas de uma disputa pelo cargo de&nbsp;<em>capital cultural<\/em>&nbsp;do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o havia na cidade de S\u00e3o Paulo uma estrutura art\u00edstica como havia no Rio de Janeiro, capital da Rep\u00fablica naquele momento. Em S\u00e3o Paulo, as atra\u00e7\u00f5es culturais eram o circo, futebol, pequenas apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas em teatros e clubes, al\u00e9m de pessoas que se encontram nas pr\u00f3prias casas para cantar ou fazer saraus\u201d, esclarece a professora Maria Izabel.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"620\" height=\"466\" src=\"http:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/FOTO-5.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4839\" srcset=\"https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/FOTO-5.jpg 620w, https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/FOTO-5-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption>Mosteiro de S\u00e3o Bento, no centro de S\u00e3o Paulo, na d\u00e9cada de 1920 (Foto: Wikimedia Commons )<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Elite escravocrata<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com o car\u00e1ter recente da aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, as especialistas tamb\u00e9m ressaltam o car\u00e1ter ainda escravocrata do Brasil, \u00e0 \u00e9poca. Por isso, a mesma elite que comandava movimentos em busca do nacionalismo, dessa arte moderna, tamb\u00e9m se identificava muito mais com os costumes e o modo de vida europeu do que com os mesti\u00e7os que aqui viviam.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMuito dessa vis\u00e3o do Brasil como a c\u00f3pia do estrangeiro ou sempre dependente culturalmente do que vem de fora, algo que a gente chama popularmente at\u00e9 hoje de&nbsp;<em>s\u00edndrome de vira-lata<\/em>, vem desse olhar de uma determinada elite que gostaria, de fato, de estar morando em outro lugar \u2013 ou seja, que se v\u00ea mais associada a esse passado europeu do que ao passado mesti\u00e7o nacional\u201d, destaca a professora Diana.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"620\" height=\"413\" src=\"http:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/foto-6.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4834\" srcset=\"https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/foto-6.jpg 620w, https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/foto-6-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption>Theatro Municipal foi palco da Semana de Arte Moderna (Foto: Getty Images)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Todas essas nuances por tr\u00e1s da cria\u00e7\u00e3o da Semana de Arte Moderna de 1922 s\u00e3o importantes para a compreens\u00e3o da relev\u00e2ncia do evento e, tamb\u00e9m, do porqu\u00ea dele se tornar algo que reverbera cr\u00edticas, an\u00e1lises e reflexos no pa\u00eds j\u00e1 h\u00e1 um s\u00e9culo. De forma sint\u00e9tica, como dito por Maria Izabel, \u201cera uma elite falando da fazenda\u201d \u2013 mas trazendo debates nunca antes vistos para o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte: casavogue.globo.com<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As comemora\u00e7\u00f5es ao centen\u00e1rio da Semana de Arte Moderna de 1922, celebrado neste m\u00eas fevereiro, suscitam diversos debates a respeito do evento, especialmente sobre seu formato, conte\u00fado e participantes, al\u00e9m do prop\u00f3sito que impulsionou sua realiza\u00e7\u00e3o. Mas existe um fator fundamental a ser levantado e que ajuda a compreender toda a for\u00e7a motivadora do festival:&nbsp;qual [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4838,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-4833","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arte-e-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4833","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4833"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4833\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4842,"href":"https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4833\/revisions\/4842"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4838"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4833"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4833"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mzm.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4833"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}